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Primeiro servidor indígena da UFSM inicia trajetória no NEABI

Marcio Katánh Manoel Antonio

Marcio Katánh Manoel Antonio, da Terra Indígena Kaingang de Cacique Doble, no norte do Rio Grande do Sul, é o primeiro servidor aprovado pelas cotas indígenas no concurso para assistente administrativo da UFSM em 2025. Sua chegada marca um momento histórico para a Instituição.

“Meu nome na língua indígena Kaingang é Katánh, que significa árvore verde”, conta o novo servidor, prestes a completar seu primeiro mês de atuação junto ao Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI). Ao ser inserido em um ambiente voltado para a valorização da diversidade e da interculturalidade, ele já começa a contribuir para a construção de práticas mais plurais e comprometidas com a equidade.

“Eu sou aquela pessoa que iniciou a subir as escadinhas da educação, sabe? Comecei a atuar como docente especificamente com os anos iniciais do ensino fundamental, onde também tive a oportunidade de ser coordenador do Programa Mais Educação no magistério do Estado, na Educação Escolar Indígena. Iniciei cursando o magistério, depois consegui cursar a faculdade de Pedagogia, após tive a oportunidade de ter uma formação de pós-graduação lato sensu em Orientação e Supervisão Escolar, e hoje, simbolizo a efetivação das políticas de inclusão e o fortalecimento da representatividade indígena nos espaços administrativos da universidade”, afirma, orgulhoso.

Representatividade indígena

Katánh relata sua trajetória profissional, desde o magistério até sua graduação em Pedagogia e Direito e, posteriormente, o ingresso na UFSM e sua trajetória educacional, junto à representatividade indígena. “O que me motivou a estudar Direito foi que percebi que na minha comunidade Kaingang não se tinha ninguém com formação jurídica e não havia nenhum jurista que pudesse auxiliar a comunidade. As famílias necessitavam de assistência jurídica para tratar dos direitos indígenas e de outros direitos que todo cidadão tem, como por exemplo os direitos trabalhistas e
previdenciários. Foi aí que percebi a importância de ter indígenas com formação jurídica e em cargos públicos para defender os direitos e auxiliar a comunidade, trazendo incentivo à qualificação educacional e às oportunidades de qualificação profissional”, ressalta o novo servidor do NEABI/UFSM.

Incentivo à qualificação

O ingresso na UFSM teve como motivação principal o incentivo à qualificação oferecido pela Universidade, que não era disponível em sua
atuação anterior como docente no Estado. Por ser o primeiro servidor público indígena da Instituição, Márcio Katánh carrega um peso de
representatividade significativo, pois desde a criação das cotas indígenas na UFSM, em 2013, a Universidade tem buscado ampliar o acesso e a
permanência de estudantes e servidores indígenas em seus quadros, fortalecendo a diversidade institucional, principalmente dentro do NEABI, núcleo que atua na promoção de estudos e ações voltadas às questões étnico-raciais, desempenha papel central nesse processo, articulando políticas de inclusão e dando suporte às iniciativas que valorizam a presença indígena na academia.

A chegada do novo servidor não é apenas resultado de uma conquista individual, mas também reflexo de uma trajetória coletiva que vem
transformando a Universidade em um espaço mais plural e comprometido com a justiça social.

Texto: Observatório de Direitos Humanos
Foto: Fabiane Fomes, bolsista do ODH

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