No centro da cidade de Cachoeira do Sul, há um refúgio fora da vida urbana. O Jardim Botânico e Zoológico Municipal é um espaço para respirar fundo e observar a vida que exala por ali. Foi nesse cenário que, na última quinta-feira (09), estudantes do curso de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) desenvolveram ações de enriquecimento ambiental voltadas à melhoria do bem-estar dos animais.
Cerca de 20 alunos participaram de um minicurso ministrado pela zootecnista egressa da UFSM Silvia Mendes. Ao longo do dia, os estudantes observaram os animais, identificaram possibilidades de melhoria nos viveiros e desenvolveram estratégias de enriquecimento ambiental. “O enriquecimento ambiental é proporcionar ao animal a opção de escolha. Quando ele está na natureza, tem um repertório comportamental amplo: pode caçar, ficar em ócio, dormir, percorrer grandes distâncias. Em cativeiro, essas opções são reduzidas, o que pode gerar estresse, estereotipias, que são comportamentos repetitivos, ou mutilações”, explicou Silvia.
Segundo a zootecnista, existem cinco tipos de enriquecimento ambiental: alimentar, físico, sensorial, cognitivo e social. As atividades desenvolvidas pelos alunos envolveram principalmente o uso de materiais naturais, como cipós, taquaras e galhos, transformados em estruturas e “brinquedos” para os animais, de materiais naturais e duráveis, que podem ser mordidos e roídos.
Durante a manhã, os estudantes participaram de um tour guiado pelo zoológico para observar os recintos e levantar demandas. À tarde, colocaram em prática as soluções propostas, instalando os itens produzidos nos viveiros e acompanhando a interação dos animais.
A iniciativa também evidenciou uma lacuna na formação acadêmica. A estudante Kethen Machado destacou o aprendizado proporcionado pela atividade, já que não é uma disciplina disponível no curso de Zootecnia. “Estamos gostando muito dessa parte de fazer brinquedos para os animais”, afirmou. Silvia reitera a importância dessa experiência. “Há uma falta de disciplinas obrigatórias voltadas aos animais silvestres. Os alunos se interessam muito pelo tema, mas nem sempre se sentem pertencentes a essa área”, ressaltou Silvia.
Formação e novos projetos
A experiência no zoológico também marca o início de uma articulação mais ampla entre ensino, pesquisa e extensão. Gerson Garcia é o coordenador do curso de Zootecnia e contou que a ideia de visitar o zoológico de Cachoeira do Sul surgiu a partir de uma palestra que Silvia deu durante sua aula. “Nós identificamos que é um mercado a ser explorado. A Silvia é uma pioneira na zootecnia de silvestres”, explicou Gerson.
A partir da atividade, está sendo estruturado um núcleo de pesquisa em animais silvestres, com participação de estudantes de Zootecnia. “Nós criamos um núcleo de pesquisa em animais silvestres que vai atuar diretamente no Zoológico de Cachoeira do Sul. Estamos fortalecendo esse vínculo e construindo uma nova frente dentro da zootecnia”, explicou Silvia Mendes. Segundo ela, a proposta é ampliar as ações e consolidar uma linha de atuação contínua na área. “É só o começo”, afirmou.
A mobilização dos estudantes também chamou a atenção de outras áreas. De acordo com Luiza Comin, do Diretório Acadêmico da Zootecnia Octavio Domingues, há interesse de alunos de outros cursos em participar das próximas edições da atividade. “Posteriormente, vamos trazer estudantes de outras áreas. Vemos que o pessoal está muito animado e engajado, eles tinham muita vontade de estar aqui, por isso estão colocando a mão na massa”, destacou.
Na parte da tarde, o grupo fez a instalação dos materiais produzidos e os animais já começaram a interagir com as peças.
Espaço de acolhimento e reabilitação da fauna
Localizado na região central de Cachoeira do Sul, o Jardim Botânico e Zoológico Municipal funciona como espaço de conservação, educação ambiental e reabilitação de animais silvestres. O local abriga cerca de 260 animais, entre aves, répteis e mamíferos, distribuídos em 63 espécies nativas e exóticas.
De acordo com o biólogo Juliano de Carvalho, chefe do zoológico, a maioria dos animais chega ao local por meio de ações de fiscalização de órgãos ambientais, como a Polícia Ambiental e o Segundo Batalhão Ambiental da Brigada Militar. “Os animais apreendidos são encaminhados para avaliação. Quando estão em condições, são reintroduzidos na natureza. Aqueles que não conseguem se recuperar permanecem sob nossos cuidados”, explicou.
O espaço também recebe apoio de instituições como a Divisão de Fauna da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e o Ibama, além de acolher animais resgatados pela comunidade.
Criado em 13 de dezembro de 1986, a partir de uma iniciativa do médico veterinário Edson Salomão, o zoológico completa 40 anos de atuação em 2026.
Serviço
O Jardim Botânico e Zoológico Municipal de Cachoeira do Sul está aberto de terça a domingo, incluindo feriados.
De terça a sexta-feira, o funcionamento é das 8h30 às 17h30, com fechamento ao meio-dia.
Aos finais de semana, o espaço funciona das 9h às 17h, sem interrupção ao meio-dia.
Texto: Jessica Mocellin, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotografias: Mathias Ilnicki, acadêmico de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista





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