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Orquestra Sinfônica de Santa Maria: uma noite para celebrar 60 anos de música

Concerto dos 60 anos da Orquestra Sinfônica de Santa Maria aconteceu no Centro de Convenções

Quem compareceu no Centro de Convenções da UFSM no dia 7 de abril percebeu um clima diferente no ar: tempo de celebrar, relembrar e desejar vida longa à Orquestra Sinfônica de Santa Maria (OSSM), a qual completa 60 anos de sonhos que, com dedicação e entrega, seguem se realizando. Para a ocasião, a orquestra preparou um repertório especial que parece contar uma história. Começo, meio e fim perpassam a memória do grupo, que já foi lar de tantas pessoas. 

Ao cruzar pelas escadas do auditório da universidade, o público, lentamente, acomodou-se. Em cima do palco, vários instrumentos – as cordas, as madeiras, os metais e a percussão – deram pistas de que o show estava para começar. Lá atrás, nos camarins, esperavam os músicos e seu condutor, o maestro Cláudio António Esteves. “Depois de todo o trabalho que a gente tem, que a gente ensina para os nossos alunos, não há do que ter medo. O palco é nossa casa”, disse. A hora, agora, é de colher o que foi semeado com tanto carinho pelos componentes do organismo vivo que é a OSSM.

As luzes do ambiente ajustavam-se. Várias fotografias da orquestra ao longo dos anos passavam em uma tela, que sobe aos poucos para dar espaço à grandiosidade do momento. A reitora da UFSM, Martha Adaime, fez seu pronunciamento, breve; ela, assim como todos ali, mal podiam esperar pelo presente que estava por vir. Os artistas entram. Eles sabem exatamente onde ficam os próprios lugares. Entra o maestro. Nesse instante, o público aplaude com a certeza de que estava lá para presenciar um misto de entrega, qualidade e magia.

O concerto iniciou com a abertura da ópera O Guarani, de Antônio Carlos Gomes. Trata-se de um simbólico pioneirismo para a história do Brasil: essa foi a primeira música nacional a ser ouvida – e aclamada – em um grande palco europeu. A composição escolhida abriu portas, bem como a Orquestra Sinfônica de Santa Maria faz desde 1966. Ela chega para mudar o contexto cultural da região central do Rio Grande do Sul e ganhar destaque como uma das mais longevas e importantes instituições musicais do estado. 

É o fim do começo, e ninguém sabia o que poderia vir a seguir. Entre uma música e outra, são alguns segundos de espera que fomentam pensamentos de curiosidade e reflexão acerca do que acaba de ser apresentado. Rapidamente, sons de pássaros e melodias que parecem ter uma ordem própria tomam conta do ambiente – é sinal de que o Canto do Sabiá, composto por Frederico Richter, está começando.

Fundador do grupo, Richter foi seu primeiro maestro. Foi ele quem sonhou o que antes era chamado de “Orquestra Possível”, nome dado ao projeto de extensão que precedeu a formação da atual orquestra. O maestro Esteves, que trabalha hoje em prol da perpetuação de um sonho de seis décadas, comentou: “o pessoal inicia com a possibilidade de proporcionar um organismo musical importante para a sua cidade, sua região, estado, país. Não se sabe se isso vai vingar, então se vai trabalhando aos poucos”. Trabalho esse que se firmou com o tempo e se traduz na homenagem prestada ao seu inicializador.

A universidade cumprindo o papel dela

Acadêmico Dener Madruga apresentou seu solo de contrabaixo durante o evento

Não somente os regentes, como todos aqueles que passaram pela orquestra, são peças da grande engrenagem que faz o espetáculo acontecer. Os estudantes, que dão vida ao espaço da universidade pública, compõem parte crucial do que sustenta a OSSM ao longo do tempo – é o que simboliza a apresentação preparada para a sequência do concerto. De repente, parte dos músicos se retirou para dar evidência a Dener Madruga, acadêmico de Música. Ele chegou com seu contrabaixo e se dispôs à frente de seus colegas, ao lado do maestro. Iniciou, então, seu solo. 

Dener apresentou o Concerto para Contrabaixo n° 2 de Giovanni Bottesini, compositor que transformou a visão sobre o instrumento ao tirá-lo da posição de suporte harmônico e rítmico. Para o artista, sua apresentação tem uma representatividade muito simbólica, seja como contrabaixista seja como universitário. “Representar a vida acadêmica, ainda mais da CEU – porque eu sou da CEU -, é meio que uma vitória. É mostrar que é possível”, afirmou. 

O acadêmico foi escolhido através de uma seleção feita pelo departamento de Música da UFSM. Era o segundo ano seguido que tentava. Com estudo, treinamento e concentração, aqui está, em 2026: à frente de uma audiência que quase não pisca para não arriscar perder momento algum de sua entrega. Dener afirma nunca ter imaginado se apresentar como solista, apesar da antiga vontade de participar de uma orquestra. O maestro comentou: “para ele, também é uma sensação de reconhecimento do esforço, sabe? É a universidade cumprindo o papel dela”.

Vida longa à Orquestra Sinfônica de Santa Maria

O concerto levou a plateia a imergir na divertida Pizzicato-Polka, peça de Johann Strauss Jr. e Josef Strauss, e apresenta um instrumento que contrapõe completamente o esforço que o contrabaixo exige: o Glockenspiel. Na sequência, um clássico eternizado pela animação Fantasia (1940), de Walt Disney, consumiu o ambiente – é Uma Noite no Monte Calvo, de Modest Mussorgsky, que começava. Entre uma obra e outra, a noite ganhou forma como uma espécie de percurso afetivo, em que cada música revela uma faceta diferente da orquestra. Há leveza, intensidade e espaço para o inesperado.

Público aplaudiu ao fim da noite de celebração dos 60 anos da OSSM

Nada mais inesperado, inclusive, do que encerrar a noite com uma abertura. A Abertura Orfeu no Submundo, de Jacques Offenbach, é o que dá o ponto final à celebração dos 60 anos da OSSM. Finalizada a peça, os músicos levantaram-se. O maestro caminhou à diagonal do palco e faz um último agradecimento. Mais uma vez, a plateia aplaudiu – e ela seguiu aplaudindo por algum tempo para tentar fazer jus à oportunidade de prestigiar tamanha força cultural.

Como se trata de um aniversário, houve um Parabéns para Você. Novamente, os músicos tomaram seus postos. A melodia da tradicional e sentimental canção ecoou não somente nos instrumentos, mas nas vozes das pessoas presentes, que acompanharam no canto e nas palmas. Todos sorriram e trocaram olhares, confidentes, de satisfação. O palco, lentamente, esvaziou-se. Chegou ao fim a comemoração de 60 anos de uma potência, um experimento que deu certo, que vive nas memórias de quem passa por ele. O desejo é um só: o de que a Orquestra Sinfônica de Santa Maria siga firme para que possam ser comemorados infinitos anos mais.

Texto: Camille Moraes, estudante de Jornalismo e voluntária da Agência de Notícias

Fotos: Adrieny Rosa, estudante de Produção Editorial e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Pedro Pereira, jornalista

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