
No início de 2026, a associação atlética dos cursos de Educação Física da UFSM começou a reforma da quadra de basquete anexa ao Ginásio 3 do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD). Antes completamente deixado de lado, a “quadrinha” é um dos poucos espaços públicos disponíveis em Santa Maria para a prática da modalidade de forma gratuita.
O grupo por trás da pintura e dos reparos conta com o apoio de professores da Universidade e ainda de pessoas que guardam boas histórias e memórias no local. Em meio a dias de chuva e a rotina intensa de atividades curriculares e extracurriculares, o objetivo dos responsáveis pela ação é finalizar ainda este ano.
De acordo com o presidente da atlética, que também é conhecida como “Gorila”, Alexandre Perez, a ideia é que o trabalho acabe antes dos Jogos Interatléticas de Santa Maria (JISM), principal evento dessas associações na cidade, que vão de 30 de outubro a 8 de novembro. “Falta arrumar os aros, que já estão conosco, e terminar de pintar o resto da quadra, mas dependemos do clima, do material e da disponibilidade”, afirmou.
Reforma movida por paixão
Alexandre é estudante de Educação Física na UFSM e cresceu jogando e vivendo o cenário do basquete em Santa Maria. Junto do colega Caetano Harden, teve a ideia de começar o processo de revitalização da estrutura da quadra. Embora a organização inicial não tenha sido das melhores, de acordo com o próprio acadêmico, com o tempo o grupo passou a conseguir definir dias e providenciar disponibilidade para “colocar a mão na massa”.
Os materiais, como as tintas, os pincéis e os rolos, foram adquiridos de forma pessoal pelos integrantes da atlética, como também através do Núcleo de Infraestrutura (NINFRA) do CEFD. Os professores Luiz Fernando Royes, do Departamento de Métodos e Técnicas Desportivas, e Renato Coutinho, da disciplina de Educação Física do Colégio Politécnico, foram os primeiros a apoiar as ações de recuperação da quadra.

Logo no início da iniciativa, uma história curiosa incentivou o grupo. “No primeiro dia das reformas, o professor Luiz Fernando foi a uma loja de materiais e tintas e comentou com o balconista que queria revitalizar a quadrinha junto com os alunos. O senhor que o atendeu contou que, aos finais de semana, leva o filho, que tem Transtorno do Espectro Autista, à quadrinha para jogar basquete. Ele estava feliz que agora o filho poderia ter uma quadra em que sabe quando a bola sai e quando não sai”, relatou Alexandre.
O trabalhador não foi o único a manifestar alegria ao saber do trabalho realizado pela atlética de Educação Física da UFSM. De acordo com o presidente da associação, outras pessoas também fizeram contato com o objetivo de entender como poderiam ajudar. “Foi assim que vimos o quanto esse espaço é querido pelo pessoal de Santa Maria. Às vezes, na nossa cabeça, a quadrinha da Universidade só tem universitário, mas isso foge muito da realidade do basquete santa-mariense”, comentou.
Um projeto de extensão, inclusive, nasceu do interesse de pessoas de fora da UFSM em praticar o basquete naquele local. O Basquetebol à Tardinha, que hoje promove encontros supervisionados por acadêmicos de Educação Física às segundas-feiras, exclusivamente para mulheres, e às terças-feiras, surgiu porque a então professora do CEFD, Ariane Pacheco, percebeu a grande procura por uma quadra pública e gratuita.
“O pessoal ficava batendo bola até escurecer mesmo sem uma estrutura mais organizada. A quadra estava sem linhas, sem marcação, com um dos lados impossível de usar porque o aro não tinha as melhores condições, e ainda assim lotava em dias de semana. A cidade precisa desse espaço da melhor forma possível”, enfatizou Alexandre.
O que ainda falta

Até o momento, metade da quadra já teve a pintura finalizada. Entretanto, o presidente da Gorila destaca que há outras demandas de infraestrutura alheias ao esporte, como a falta de lixeiras, uma vez que a mais próxima está localizada a aproximadamente 50 metros do espaço, e bancos ao redor para quem está assistindo aos “rachas”.
Concluída a revitalização, está prevista uma reinauguração com um campeonato de basquete 3×3, modalidade derivada do basquete tradicional. O torneio será aberto à comunidade, que poderá inscrever suas próprias equipes. A promessa, contudo, é que esta disputa seja só o início da nova “quadrinha do CEFD”.
“É um espaço que o pessoal de Santa Maria conhece e gosta. Tenho amigos de fora da cidade que também já jogaram ali. São vários motivos que dão mais visibilidade àquela quadra e fazem o pessoal perceber que ela é importante e que a gente precisa cuidar dela”, salientou Alexandre.
Texto e fotos: Pedro Pereira, jornalista
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