
O Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA), vinculado à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), realizou, neste sábado (17), a oitava edição do Paleodia, em São João do Polêsine. A programação reuniu atividades práticas e oficinas que permitiram a crianças e famílias conhecer etapas do trabalho paleontológico e entrar em contato com outras áreas da ciência.
Realizado desde 2017, o evento surge com a proposta de aproximar a comunidade do centro de pesquisa e despertar o interesse das crianças pela paleontologia. “Então pensamos o que poderia ser feito para trazer um dia de mais envolvimento para elas e também para trazer a comunidade mais para perto”, explica a integrante da equipe administrativa do CAPPA e da organização do Paleodia Gisela Sartori Farencena.
Durante as atividades, as crianças escavaram réplicas de fósseis e simularam a abertura de blocos usados para proteger e transportar materiais encontrados em campo até o centro de pesquisa. A experiência também abordou a necessidade da preservação dos vestígios paleontológicos da região. “É muito importante mostrar para eles a importância do patrimônio paleontológico, patrimônio geológico, principalmente aqui da região da Quarta Colônia”, afirma Gisela.
A conscientização também envolveu orientações sobre como agir diante de possíveis achados em propriedades particulares. Como a região possui afloramentos rochosos com fósseis, moradores podem encontrar esses materiais em suas terras a qualquer momento. Conhecer o valor científico dos vestígios e saber como proceder diante de um achado contribui para sua preservação e para a ciência.

Extensão universitária presente
Além da paleontologia, projetos e laboratórios da UFSM apresentaram atividades de educação ambiental. O projeto de extensão “Olha o Passarinho”, em atividade desde 2011, promoveu um passeio de observação de aves. A equipe emprestou binóculos às crianças e orientou o grupo na identificação das espécies encontradas na região.
Para a professora de Engenharia Sanitária e Ambiental Marilise Krügel, coordenadora do projeto, a participação no evento permite compartilhar conhecimentos sobre a biodiversidade local. “Quando tem essa oportunidade e a universidade oferece isso, seguidamente nós temos que participar pra mostrar o que temos da região”, afirma.
O Laboratório de Herpetologia, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, também participou da programação com exemplares preservados de anfíbios e répteis. A equipe apresentou características desses grupos e orientou o público sobre como identificar serpentes peçonhentas. A atividade também abordou aspectos da vida dessas espécies, como a reprodução e o cuidado com os filhotes, para desconstruir percepções negativas e mostrar como esses organismos contribuem para o equilíbrio ambiental.
“A gente consegue trazer essa consciência pro pessoal”, explica o mestrando em Biodiversidade Animal e integrante do Laboratório de Herpetologia Fausto Fanfa. Para ele, a educação ambiental desde a infância contribui para ampliar o conhecimento sobre os animais e a preservação dos ambientes em que vivem.

Ciência e território
A atuação do CAPPA está ligada à relevância paleontológica da Quarta Colônia, onde pesquisadores identificaram espécies que ajudam a compreender a evolução dos animais pré-históricos. Entre as descobertas estão o dinossauro de pescoço longo Macrocollum itaquii e o réptil Venetoraptor gassenae, que viveu há cerca de 230 milhões de anos e era parente próximo dos ancestrais dos pterossauros. O centro também apoia pesquisas em geologia, além de atuar no mapeamento de sítios fossilíferos, na preservação de fósseis e na divulgação científica.
A riqueza paleontológica é um dos fatores que fundamentaram o reconhecimento da região como Geoparque Mundial da Unesco. Segundo a diretora do Geoparque Quarta Colônia, Eduarda Brum, a pesquisa e a preservação desse patrimônio estão ligadas às ações de educação patrimonial. “A gente tem o Paleodia como o principal evento de popularização da ciência, de aproximar a comunidade realmente daquilo tudo que a gente tem aqui”, afirma.
Durante a programação, foram arrecadados materiais de limpeza e produtos de higiene destinados ao Centro de Apoio à Criança com Câncer (CACC).

Novas gerações
Entre os visitantes, estava a estudante e moradora de Santa Maria Jéssica Goulart, que se interessou pela paleontologia ainda na infância, ao assistir aos filmes da franquia Jurassic Park. A possibilidade de transformar o fascínio pelos dinossauros em profissão surgiu quando a irmã, estudante de Biologia, contou que era possível trabalhar na área. Desde então, Jéssica passou a pesquisar cada vez mais sobre o campo.
Para ela, atividades como as do Paleodia ajudam a divulgar o trabalho por trás das descobertas paleontológicas, ainda pouco conhecido pelo público. “É uma forma de tornar a paleontologia mais acessível para as pessoas”, afirma.
Texto: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Mathias Ilnicki, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista
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