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Geoparques gaúchos têm título renovado pela Unesco

Foto colorida na horizontal mostra, em primeiro plano, a avaliadora Daniela Rocha, uma mulher de cabelos loiros, na altura dos ombros, vista de perfil e segurando uma cuia de chimarrão com uma das mãos. Ela veste uma blusa em tom de verde-oliva e usa brincos. Ao fundo, outras pessoas aparecem desfocadas, entre elas uma pessoa segurando outra cuia. O ambiente é a parte interna de um CTG e é iluminado por uma grande abertura ao fundo com luz natural.
Avaliadores conheceram a cultura local

Os geoparques Quarta Colônia e Caçapava do Sul tiveram o título de Geoparque Mundial da Unesco renovado por quatro anos. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (3), durante a 11ª sessão do Conselho dos Geoparques Mundiais, em Paris, na França. Os dois territórios gaúchos receberam cartão verde, resultado que confirma o cumprimento dos critérios da organização e garante a permanência na Rede Mundial de Geoparques.

A renovação reconhece o trabalho desenvolvido nos territórios em áreas como conservação do patrimônio geológico e cultural, educação, desenvolvimento sustentável e participação das comunidades. Para a chefe da Subdivisão de Geoparques da Pró-Reitoria de Extensão (PRE), Bibiana Schiavini, a aprovação dos relatórios reafirma a importância da atuação da Universidade nos dois geoparques. “O cartão verde é a garantia da continuidade do trabalho da UFSM em prol do ensino, pesquisa e extensão nos territórios”, afirma.

A diretora executiva do Geoparque Quarta Colônia, Eduarda Brum, destaca que a articulação regional foi fundamental para a conquista. Segundo ela, o resultado reconhece uma mobilização construída ao longo de décadas, com a participação dos nove municípios e a atuação do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (Condesus). “Essa notícia vem para coroar todo o trabalho feito por muitas mãos e há muitos anos aqui na Quarta Colônia”, diz.

Relembre a trajetória

Infográfico vertical intitulado “Histórico dos Geoparques”, com fundo ilustrado em tons de azul, verde, marrom e bege, que representa formações rochosas e paisagens naturais. Uma linha branca percorre a imagem e conecta seis marcos cronológicos, identificados por círculos verdes e caixas de texto em tons de bege e vinho. Em ordem cronológica, as informações apresentadas são:
2015: Início das atividades científicas do CAPPA em São João do Polêsine
2018: Início das articulações para os projetos Geoparque Quarta Colônia e Geoparque Caçapava
2020: Envio das cartas de intenções à Unesco
2022: Missões de avaliação nos territórios da Quarta Colônia e de Caçapava
2023: Certificação da Quarta Colônia e de Caçapava do Sul como Geoparques Mundiais da Unesco
2026: Missões de revalidação da Unesco nos territórios da Quarta Colônia e de Caçapava
Na parte inferior, aparecem as marcas da UFSM e da iniciativa Geoparques da Unesco.
Confira a linha do tempo até o reconhecimento internacional

A renovação do título foi precedida por uma missão internacional de revalidação, realizada em julho. Na ocasião, os avaliadores Daniela Rocha, de Portugal, e Jean-Luc Desbois, da França, percorreram a Quarta Colônia e Caçapava do Sul para acompanhar as ações desenvolvidas desde a conquista do reconhecimento, em 2023. Durante as visitas, conheceram geossítios, projetos, instituições culturais e atividades realizadas com a participação das comunidades locais.

Na Quarta Colônia, a programação percorreu os nove municípios e evidenciou a relação entre patrimônio paleontológico, memória e identidade cultural. Entre os destaques estiveram o Geossítio Fossilífero Linha São Luiz, em Faxinal do Soturno, referência para pesquisas sobre fósseis do período Triássico, e a comunidade quilombola Vovó Isabel, em Nova Palma, onde os avaliadores conheceram ações de preservação da memória afro-brasileira. A visita também incluiu espaços dedicados à imigração italiana e à tradição gaúcha.

Em Caçapava do Sul, a missão destacou a diversidade geológica e as iniciativas que aproximam o patrimônio local da economia e da educação. A comitiva visitou pontos como as Minas do Camaquã e a Pedra do Segredo, além da Feira Municipal do Artesanato, Produtos e Prestação de Serviços (Femapro), onde conheceu geoprodutos inspirados na paisagem e na identidade do município.

Próximos passos

O título de Geoparque Mundial da Unesco não é permanente. A cada quatro anos, os territórios passam por uma nova avaliação para demonstrar que continuam atendendo aos critérios estabelecidos pela organização. O processo considera relatórios técnicos elaborados após as missões internacionais e prevê três resultados: cartão verde, que garante a continuidade do reconhecimento por mais quatro anos; cartão amarelo, que indica a necessidade de melhorias em um prazo de dois anos; e cartão vermelho, que representa a perda do título.

Com a renovação, Quarta Colônia e Caçapava do Sul iniciam um novo ciclo de reconhecimento internacional, que também representa a continuidade das ações desenvolvidas em parceria com a UFSM, as administrações municipais e as comunidades dos territórios.

Texto: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos e infográficos: Giovanna Felkl, Sofhia Krening e Daniel de Carli
Edição: Mariana Henriques, jornalista

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