A Pró-Reitoria de Inovação e Empreendedorismo (Proinova) da UFSM iniciou, na segunda-feira (27), a primeira edição da Semana da Propriedade Intelectual. Com o tema “Da ideia ao impacto”, a programação é voltada à promoção da inovação e à proteção do conhecimento científico. A iniciativa foi planejada em alusão ao Dia Mundial da Propriedade Intelectual, celebrado em 26 de abril.
A abertura ocorreu no auditório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no campus de Santa Maria, e contou com a palestra “Construção de patentes relevantes na era da inteligência artificial”, ministrada por Henry Suzuki, sócio fundador e CEO da Axonal Consultoria Tecnológica.
Além das atividades no campus sede, a programação se estende aos demais campi da UFSM, com o objetivo de ampliar o debate e promover ações práticas relacionadas à propriedade intelectual em diferentes regiões do estado. Em Palmeira das Missões, Cachoeira do Sul e Frederico Westphalen estão previstas a dinâmica “Desafio de PI” e a apresentação do “Programa Inovação da UFSM: Núcleo de Propriedade Intelectual – Estrutura, atividades e escuta das demandas da comunidade”, além da realização da palestra de Henry Suzuki em todas as unidades.
Propriedade intelectual na Universidade
A UFSM encerrou o último ano com a concessão de 13 patentes de invenção pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), resultado que evidencia o avanço da Instituição na área de inovação e proteção do conhecimento científico. Nesse contexto, a propriedade intelectual se consolida como um instrumento estratégico para ampliar o alcance das pesquisas desenvolvidas no ambiente acadêmico.
Segundo a coordenadora de Transferência de Tecnologia e Propriedade Intelectual da Proinova, Lauren Peres Lorenzoni, “quando a gente fala em propriedade intelectual, não estamos falando só da proteção de algo que é desenvolvido dentro da Universidade. A gente tem que pensar também em como se transfere isso para a sociedade”.
Além dos registros de patentes, a UFSM também investe na formação acadêmica voltada ao tema por meio da oferta da Atividade Complementar de Pós-Graduação (ACPG) intitulada “Introdução à Propriedade Intelectual”, destinada a estudantes de pós-graduação com o objetivo de aproximar os pesquisadores dos conceitos e práticas da área.
Para a coordenadora, essa relação entre pesquisa e propriedade intelectual está diretamente ligada ao papel da Universidade no desenvolvimento social e econômico. “Quando falamos que a base da propriedade intelectual é a pesquisa, isso é também a essência de uma universidade. Então, nós trabalhamos sobre isso de forma estratégica, valorizando o que é desenvolvido aqui para que chegue na sociedade, não só por meio de artigos, mas também por meio de proteções e comercialmente, gerando mais empregos e auxiliando no desenvolvimento, tanto local quanto mundial”, afirma Lauren.
Desafios na era da inteligência artificial
O uso de ferramentas de inteligência artificial na busca e escrita de patentes foi um dos temas abordados durante a palestra de abertura, especialmente no que se refere à confiabilidade das informações geradas. “Quando usamos inteligências artificiais, como Chat GPT, Perplexity e Gemini, elas fornecem respostas rapidamente, quase de forma instantânea. No entanto, utilizam apenas alguns segundos de processamento para formar essa resposta, o que a torna incompleta e pouco confiável”, afirmou Henry Suzuki durante sua fala no evento.
De acordo com o palestrante, essas ferramentas devem ser utilizadas como apoio ao trabalho humano. “A gente é tudo o que tem mais aquilo que a IA oferece. Então, é lógico que sempre será melhor um humano do que apenas uma IA”, destacou
Além da qualidade das respostas, o CEO também ressaltou a necessidade de atenção quanto ao uso de dados em plataformas digitais. “Outras IAs, como o Chat GPT, pedem que sejam aceitos termos de autorização. Por isso, é preciso ter cuidado”, advertiu.
Como alternativa, Suzuki apresentou uma ferramenta que prioriza a segurança das informações inseridas pelos usuários. “A diferença de usar o NotebookLM é que, na conta educacional, é possível acessá-lo em uma modalidade segura. O diferencial dessa inteligência artificial é que você a alimenta com referências, que ficam registradas na sua conta e, se forem apagadas,
também são removidas, sem que o sistema aprenda com esse conteúdo”, explicou.
Percepções do público reforçam o impacto da semana
A palestra de abertura da Semana da Propriedade Intelectual reuniu estudantes e pesquisadores, que destacaram a relevância do evento para a formação acadêmica e profissional.
A mestranda em Ciência da Computação Paula Emmanuella Fregatto ressaltou a conexão do tema com as demandas do mercado e o papel da Universidade nesse cenário. “Trabalhei no ano passado em uma startup como pesquisadora e é um universo que hoje o mercado precisa muito. Falando de inteligência artificial, eu acho que a gente tem que estar preparado para apoiar as empresas e, como aluna, buscar sempre o que existe de melhor para trazer o conhecimento para a sociedade como um todo”, afirmou.
Já o mestrando Jean Richard Badette, do curso de Relações Internacionais, destacou a relevância da temática para sua trajetória acadêmica. Ele atua com pesquisas voltadas à transferência de tecnologia, um dos eixos centrais da propriedade intelectual. Segundo ele, seus estudos investigam mecanismos e estratégias de cooperação internacional, com foco no setor de energias renováveis. Esse campo se relaciona diretamente com os debates promovidos no evento. Dessa forma, aproxima a pesquisa acadêmica das demandas tecnológicas e das relações entre países.
O papel da Proinova
O vice-reitor, Tiago Marchesan, destacou, durante sua fala no evento, o papel estratégico da inovação no ambiente acadêmico. “A Proinova, hoje, consegue levar a inovação na Universidade aos mais diversos caminhos, ao tratar da Universidade como o futuro, que transforma a sociedade por meio da transferência de tecnologia e do desenvolvimento
tecnológico”, afirmou.
Ele ressaltou os impactos desse processo na formação acadêmica e no desenvolvimento econômico. “É essa tecnologia desenvolvida aqui, junto ao nosso aluno que abre sua empresa, que segue para o Parque Tecnológico, que contribui para o desenvolvimento do ecossistema na cidade, gera mais emprego e renda, movimenta esse ciclo e transforma a realidade das próximas gerações”, relatou.
A atuação da Pró-Reitoria de Inovação e Empreendedorismo na área de propriedade intelectual abrange diferentes modalidades de proteção, como programa de computador, desenho industrial, patente, marca, cultivar e topografia de circuitos integrados. Esses mecanismos permitem resguardar juridicamente as criações desenvolvidas na Instituição e, ao mesmo tempo, ampliar seu potencial de aplicação prática, contribuindo para a transferência de tecnologia e para a aproximação entre universidade e sociedade.
A programação completa da 1ª Semana da Propriedade Intelectual pode ser conferida no site.
Texto: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Gabriele Mendes, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista
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