
Com a frase “Nós não queremos nenhuma de nós a menos”, a reitora da UFSM, Martha Adaime, marcou a inauguração de mais uma unidade do Banco Vermelho no campus sede da instituição, realizada na última sexta-feira (8). Instalado no hall do prédio 40, no Centro de Artes e Letras (CAL), o objeto simbólico reforça o compromisso da universidade com o enfrentamento à violência contra a mulher. A programação também contou com a performance de estudantes intitulada “Ethos, primeiro movimento: Patriarcado”. Com a nova instalação, a UFSM passa a contar com cinco bancos vermelhos distribuídos em diferentes pontos da universidade.
A inauguração foi promovida pelo Centro de Artes e Letras, em conjunto com a Pró-Reitoria de Extensão (PRE) e a Casa Verônica, integrando a programação institucional “8M na UFSM: pela vida das mulheres”. No CAL, o Banco Vermelho foi instalado inicialmente no prédio 40, mas a proposta é que ele circule também pelos demais prédios vinculados ao centro, ampliando a visibilidade da campanha em diferentes espaços acadêmicos.
Arte e compromisso social

Durante a cerimônia, o diretor do Centro de Artes e Letras, Gil Roberto Costa Negreiros, ressaltou o posicionamento institucional do centro diante da pauta. “O CAL reafirma, neste ato, sua posição em defesa dos direitos humanos, da dignidade de todas as mulheres, cis ou trans, e da construção de uma cultura baseada no respeito, na igualdade e na liberdade”, destacou.
Entre os estudantes envolvidos na confecção e pintura do Banco Vermelho está Vennus, acadêmica do curso de Artes Visuais – Licenciatura. Segundo ela, a composição do grupo responsável pela pintura também carrega um significado simbólico, marcado pela diversidade de identidades e trajetórias representadas na ação. Para a estudante, o projeto demonstra como a arte pode fortalecer a conscientização sobre pautas sociais urgentes dentro da universidade. “Participar disso de uma maneira dentro da nossa área, que é artística, foi muito enriquecedor, não só para a gente, como também para a sociedade e para a comunidade acadêmica”, afirmou.
Ela também relatou que, durante o processo de pintura, situações das quais tomou conhecimento por meio de notícias reforçaram ainda mais o sentido da ação. “Enquanto a gente estava pintando os bancos, soubemos de casos de assédio ao mesmo tempo em que pintávamos, então era como se aquilo reforçasse a importância também do que a gente estava fazendo”, afirmou.
“ETHOS, primeiro movimento: Patriarcado”
Desenvolvida pelo grupo de pesquisa “Corpo, Imagem e Imaginação”, a apresentação “ETHOS, primeiro movimento: Patriarcado” foi coordenada pela professora Mariane Magno Ribas, do Departamento de Artes Cênicas. Durante a apresentação, uma projeção ao fundo exibia um cronômetro que simbolizava a recorrência da violência contra a mulher no país. A contagem foi baseada em dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, segundo os quais uma mulher sofre algum tipo de violência a cada 30 segundos no Brasil.
A professora Mariane destacou o potencial da linguagem artística como ferramenta de conscientização e transformação social, especialmente no enfrentamento à violência contra a mulher. “A arte, em sua diversidade expressiva e provocativa, pode colaborar com a transformação do sujeito e da sociedade de muitas formas, tanto pela empatia quanto pelo pensamento reflexivo”, afirmou.
Após a performance, foi anunciada a abertura de um canal de coleta de relatos sobre situações machistas e misóginas, iniciativa vinculada à pesquisa desenvolvida pelo grupo. De acordo com a docente, neste momento, o grupo busca reunir experiências e narrativas que dialoguem com a proposta cênica em desenvolvimento.
Os depoimentos podem ser encaminhados para o número (55) 99655-0683 e irão contribuir para a construção artística e reflexiva do projeto.
Política institucional e rede de apoio

Aprovada em 2021, a Política de Igualdade de Gênero da UFSM busca promover um ambiente universitário baseado no respeito à diversidade e na equidade. Entre os objetivos estão o combate à discriminação de gênero, a criação de mecanismos institucionais de igualdade e a promoção de espaços de formação e reflexão dentro da universidade.
Um dos espaços que materializam essa política na universidade é a Casa Verônica, uma das entidades promotoras da instalação do Banco Vermelho no CAL e em outros locais do campus. Voltada à promoção da igualdade de gênero e ao acolhimento da comunidade acadêmica, a iniciativa oferece atividades educativas, como rodas de conversa, oficinas e cursos, além de atendimento psicossocial e orientação jurídica.
Dando continuidade à programação, as próximas inaugurações já estão previstas: em 18 de maio, no Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE); em 19 de maio, no Centro de Educação Física e Desportos (CEFD); e, em 20 de maio, no Espaço Multidisciplinar de Silveira Martins.
Para solicitar algum dos serviços da Casa Verônica, acesse Casa Verônica – Serviços ou entre em contato pelo e-mail acolhimentocv@ufsm.br.
Contatos úteis
- Central de Atendimento à Mulher: 180
- Brigada Militar | Patrulha Maria da Penha: 190
- SAMU: 192
- Polícia Civil: 197
- Direitos Humanos: 100
- Centro de Valorização da Vida: 188
- Conselho Tutelar: 125
Texto e fotos: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista
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