A PoliFeira do Agricultor, projeto de extensão voltado ao fortalecimento da agricultura familiar, celebrou nove anos de existência no dia 23 de abril. Para marcar a trajetória, foi realizada, nesta quinta-feira (30), uma programação especial no Largo do Planetário da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
A comemoração reuniu feirantes, estudantes, servidores e consumidores, que participaram do tradicional “Parabéns pra Você” e da partilha de um bolo com cerca de 2 metros, preparado especialmente para a data.
Tradicionalmente, a feira esteve aberta na UFSM desde a manhã. Como de costume, o público pôde visitar as 14 bancas, todas da região central do estado, que constituem a PoliFeira e acessar hortaliças, frutas, pães, mel, geleias, queijos e outros produtos comercializados diretamente pelos produtores.
Pela tarde, a movimentação dos preparativos para a celebração foi intensa. Como parte da programação, foi realizada uma roda de conversa sobre a importância da feira livre no contexto universitário. O momento, iniciado por volta das 13h30min, reuniu estudantes, servidores, transeuntes e os próprios feirantes.

Durante o encontro, produtores compartilharam experiências e desafios enfrentados no trabalho no campo. A roda de conversa também contou com falas de coordenadores da feira e bolsistas do projeto. Segundo Gustavo Pinto da Silva, professor do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural e um dos fundadores da feira, um dos destaques do projeto é a aplicação dos chamados circuitos curtos de intermediação entre quem produz e quem consome. Para ele, esse formato permite que consumidores conheçam a origem dos alimentos e fortaleçam vínculos com quem produz. “Na feira, a pessoa pode conversar diretamente com o agricultor e entender o que está por trás da comida”, explicou.
A feira também se consolidou como importante fonte de geração de renda para as famílias. Desde a criação, já movimentou cerca de R$ 8 milhões em vendas para aproximadamente 60 famílias que passaram pelo projeto ao longo de sua existência, segundo dados da coordenação. Entre os feirantes que ajudam a construir a trajetória da PoliFeira está Miraci Sippert Schú, da região de Agudo e integrante há cerca de cinco anos. Para ela, a feira teve impacto direto na renda da família e no desenvolvimento da propriedade rural. “Se tu visse a minha propriedade de quatro ou cinco anos atrás, melhorou muito mesmo. Grande parte desse avanço veio por causa da PoliFeira”, afirma.
Além disso, a feira se consolidou como espaço de ensino, pesquisa e extensão dentro da UFSM. Estudantes, professores e técnicos de diferentes áreas participam das ações ligadas ao projeto, como assessoria técnica aos produtores, gestão e organização da feira, comunicação, desenvolvimento de rótulos e embalagens, além de debates sobre soberania alimentar, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
Esse aspecto é refletido na fala do atual coordenador do projeto, Cristiano Dotto, que define a feira como um “laboratório vivo”. “A feira vai além de ser um projeto de extensão. Ela contempla ensino, pesquisa, extensão e inovação, oferecendo espaço para estudos, ações práticas e contato direto com a realidade dos produtores”, afirmou. Ele também ressalta que, ao longo dos nove anos, a iniciativa já resultou em trabalhos de conclusão de curso, dissertações, teses e capítulos de livros, consolidando-se como ambiente multidisciplinar de aprendizagem dentro da UFSM.
Há cerca de um ano no projeto, a bolsista Andréia Buzatti Mendes, aluna do curso técnico em Agropecuária, afirma que encontrou na feira uma oportunidade de unir aprendizado acadêmico e contato direto com a realidade dos produtores. “Sempre quis trabalhar ajudando os produtores. Aqui consigo aprender, fazer visitas às propriedades e também compartilhar conhecimentos adquiridos no curso”, relatou.
Segundo Andréia, um dos principais aprendizados vem da vivência no campo e da compreensão dos desafios enfrentados pelas famílias agricultoras, como falta de mão de obra, sucessão rural e o esforço exigido na produção dos alimentos. Para ela, acompanhar essa rotina amplia a valorização do trabalho rural e contribui para a formação de profissionais mais sensíveis às demandas do setor.
Aniversário tem que ter bolo

Responsável pelo bolo de aniversário da PoliFeira, Rosângela Moro viveu a ocasião de forma especial. Em sua terceira participação preparando a sobremesa, ela contou que esta edição teve um significado ainda mais emotivo, por ser a primeira realizada sem a ajuda da mãe. “Quando me chamaram para fazer o bolo, pensei que faria por ela, pela coragem que sempre me dava para enfrentar esses desafios”, relatou.
Com 2 metros de comprimento e cerca de 80 quilos, o bolo foi produzido ao longo da semana e decorado no próprio campus momentos antes da comemoração. A confeiteira explicou que a proposta foi valorizar a identidade da agricultura familiar, utilizando ingredientes encontrados nas próprias bancas, como frutas, doces coloniais, laranjas desidratadas e até folhas de couve. “A ideia era fazer algo que representasse a feira e tudo o que ela significa”, afirmou.
Entre os ansiosos na fila do bolo, estava a estudante de Pedagogia Isadora Reginato Correa, de 20 anos. Ela conheceu a feira quando prestou o Vestibular da UFSM e, desde então, passou a consumir produtos como pastel, caldo de cana, chips de mandioca e cucas. “Eu gosto bastante da feira e costumo vir seguido”, disse.

Isadora também participou da roda de conversa realizada no início da tarde. Vinda de uma família agricultora, da cidade de Cacequi, ela afirma reconhecer a relevância da iniciativa. “Eu apoio bastante a agricultura familiar e entendo a importância dela, então não poderia faltar aqui hoje”.
Pouco antes da chegada do bolo ao Largo do Planetário, a reitora da UFSM, Martha Adaime, discursou ao público. Em sua fala, destacou a resiliência do projeto ao longo dos anos e agradeceu a dedicação dos produtores na oferta de produtos de qualidade. “A PoliFeira pulsa semanalmente o coração da UFSM. A gente deseja vida longa”, afirmou. O vice-reitor da UFSM, Tiago Marchesan, acrescentou que o projeto representa o ápice da extensão rural. “Estamos contribuindo para uma produção melhor. A feira está conectada com as necessidades da população”, destacou.
Como em qualquer aniversário, o tradicional “Parabéns pra Você” antecedeu a confraternização. Após a cantoria, o bolo começou a ser servido e o público presente pôde, mais uma vez, celebrar o valor do projeto, amplamente reconhecido pela comunidade santamariense.
Onde encontrar a PoliFeira do Agricultor?
- Terça-feira, das 7h às 12h30 – Avenida Roraima (entre faixa nova e faixa velha)
- Quarta-feira, das 7h às 13h30 – Prédio 26A – CCS (próximo ao estacionamento do HUSM)
- Quinta-feira, das 12h às 18h – Largo do Planetário
- Domingo – Campus Sede UFSM
Texto: João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário da Agência de Notícias
Fotos: Jessica Mocellin, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista
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