
Já imaginou um evento que reúne aquarela, colagem, fotografia, performances e intervenções artísticas em um único local? Essa foi a proposta do Festival de Artes Visuais Mescla, que aconteceu no último sábado (17) no Ateliê da Estação, na Vila Belga de Santa Maria. Por estar localizado fora do campus, esse espaço possibilita o encontro dos alunos com a comunidade, segundo Cristina Ribas, docente dos cursos de Artes Visuais da UFSM e uma das organizadoras do evento. “Quando fazemos os eventos no Centro de Artes e Letras, ainda acabamos fazendo mais para os nossos alunos ou a própria comunidade acadêmica. Vir aqui para o Ateliê da Estação, que é um espaço que não é da universidade, mas é um parceiro, é uma oportunidade de encontrar mais públicos e fazer com que os alunos experimentem isso com outras pessoas”.
O evento, que foi uma iniciativa de professores e estudantes dos cursos de bacharelado e licenciatura em Artes Visuais da UFSM, reuniu, pela primeira vez, todas as disciplinas ofertadas com horas de extensão obrigatórias. O objetivo foi oferecer à comunidade externa uma atividade de lazer que promovesse o exercício do pensamento crítico por meio de oficinas práticas de ressignificação da arte, exposições e conversas.
Contando com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão, o Festival Mescla teve a participação de vários laboratório e projetos vinculados às Artes Visuais, como o Laboratório Interdisciplinar Interativo (Labinter), Laborarório de Pesquisa em Arte Contemporânea, Tecnologia e Mídias Digitais (Labart), Laboratório de Criatividade e Inovação as Artes (Lacria), Grupo de Pesquisa de Processos Pictóricos (GePicto), Laboratório de Estéticas e Epistemologias Descentrados das Artes (Leeda), Laboratório de Arte, Coletividade e Cartografia Contemporânea e Ciência (Labaccc) e Laboratório de Arte Impressa.
O contato com a extensão

Entre os visitantes, estiveram Gabriela Rodrigues de Lima e sua esposa, que se mudaram recentemente de Rio Grande e Pelotas para Santa Maria e estão conhecendo a cidade. Com um filho de 12 anos que aprecia arte, elas consideram importante a participação em eventos que trazem diferentes ideias e realidades para formar seu pensamento crítico. “A gente sempre fala que precisamos do capital cultural. Ele precisa estar em lugares em que ele veja outras ideias e pensamentos”, opina Gabriela.
Por ser uma atividade de extensão, os estudantes de Artes Visuais tiveram a oportunidade de ter contato com a sociedade santa-mariense. No espaço de feira, os estudantes puderam expor, precificar e vender sua arte. Em muitos casos, essa foi a primeira experiência de vendas que tiveram. “Eu acho que essa é a magia da extensão, ver que o público se conecta”, diz Ana Luísa Maciel, estudante de Artes Visuais e expositora.
Entre as várias atividades ofertadas, havia um local dedicado à “cartofonia” – junção da palavra “cartografia” com o sufixo “fonia”, que diz respeito a som, fala, voz ou audição. Nesse espaço, um mapa de Santa Maria foi pendurado em uma parede, no qual os participantes deveriam traçar uma linha, conectando lugares a partir dos sons que identificam na cidade. “Essa atividade visava mapear os sons de afeto das pessoas, porque o som sempre te teletransporta para os lugares. Nós temos o contato com as pessoas que estão aqui, essa interação e troca, e elas fazem parte do processo, o que é algo bem diferente. Geralmente a obra está ali e ninguém toca. Essa parte de colocar as pessoas para fazerem a obra é bem interessante. Estou gostando do processo”, afirma a mediadora da oficina, Aline Soares Bordinhão, que é formanda em Artes Visuais.
Para os participantes das oficinas, o festival também proporcionou experiências novas. Além da participação no processo da “cartofonia”, essa foi a oportunidade de pintar pela primeira vez para Haroldo Goulart, pai de uma estudante das Artes Visuais. Médico formado pela UFSM, ele pôde experienciar a pintura com aquarela, além de acompanhar o trabalho de sua filha na oficina. Ao final, ele levou para casa vários desenhos de sua autoria, como recordação.
Além de alunos em formação, o festival contou com uma exposição de Rafael Happke, administrador lotado no Acervo Artístico e estudante de Jornalismo da UFSM, onde também obteve o mestrado em Artes Visuais. Ele foi convidado a expor no festival o seu trabalho de extensão “Afrofaces”, uma seção de fotografias projetadas no espaço do evento, projeto que também vai participar da 4ª Bienal Black Brazil Art, em Recife.
Texto: Serena Felicia Sichinel, estudante de Jornalismo e voluntária da Agência de Notícias
Fotos: Jessica Mocellin, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Lucas Casali
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