O Relatório de Gestão 2025 da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), aprovado em reunião do Conselho Universitário realizada em 24 de abril de 2026, marca o encerramento de um ciclo administrativo de quatro anos (2022–2025), conduzido pelo então reitor Luciano Schuch e pela vice-reitora Martha Adaime. O período foi caracterizado por conquistas, desafios e pela necessidade de adaptação institucional diante de adversidades, como eventos climáticos no Rio Grande do Sul.
Para a atual reitora Martha Adaime, o relatório reflete esse contexto de transformações. “Esse ciclo foi caracterizado por várias conquistas, desafios e pela necessidade de adaptação institucional, especialmente frente às adversidades climáticas que enfrentamos”, destaca.
Elaborado sob supervisão da Coordenadoria de Planejamento e Avaliação Institucional (COPLAI), com apoio da Coordenadoria de Planejamento Informacional (COPLIN), vinculadas à Pró-Reitoria de Planejamento, o documento reúne os principais resultados do Plano de Metas 2020–2025 e evidencia avanços alinhados à missão da universidade de produzir e compartilhar conhecimento.
O relatório apresenta dados sobre o desempenho institucional nos eixos de ensino, pesquisa e extensão. O encerramento da gestão também coincide com a transição na administração da universidade, com a eleição de Martha como reitora, a primeira mulher a assumir o cargo em 65 anos de história da instituição.
Resultados em rankings indicam avanço institucional
No cenário acadêmico, a UFSM mantém posição de destaque em rankings nacionais e internacionais. No Ranking Mundial Times Higher Education (THE) 2025, a universidade está posicionada na faixa 1201–1500, mantendo o 11º lugar no Brasil, a 3ª posição no Rio Grande do Sul e figurando entre as seis melhores instituições federais. No pilar Ensino do mesmo ranking, a UFSM avançou 51 posições e passou a ocupar a 561ª colocação mundial.
Os resultados reforçam o alinhamento com a visão institucional de excelência e com valores como inovação, compromisso social e responsabilidade, ao mesmo tempo em que sinalizam o encerramento de um ciclo e a abertura de novas metas e desafios para o futuro da universidade.
O Plano de metas 2020-2025
O Plano de Metas 2020–2025 foi estruturado com base em indicadores estratégicos, com o objetivo de consolidar uma cultura de planejamento, monitoramento e transparência. Reformulado em 2020, o plano orientou ações mesmo diante de adversidades como a pandemia de Covid-19 e eventos climáticos no estado. O Relatório de Gestão 2025 marca o encerramento desse ciclo ao reunir os principais resultados alcançados e apresentar o novo Plano de Metas 2025–2027.
No que diz respeito à Visão Institucional, a meta estabelecida para o Índice Geral de Cursos (IGC) era alcançar o nível 5 de excelência. O objetivo foi atingido em 2022, três anos antes do fim do plano de metas, consolidando a UFSM entre as 15 universidades brasileiras com melhor desempenho e como a segunda universidade com maior nota no Rio Grande do Sul. A partir desse resultado, a universidade projeta se manter no conceito máximo e avançar no ranking nacional de IGC, ao buscar a décima posição entre as universidades brasileiras até 2027.
Desafios Institucionais
No Desafio 1, voltado à internacionalização, a UFSM superou a meta no Ranking QS América Latina, alcançando a 19ª posição entre as universidades brasileiras no pilar internacionalização em 2025, reforçando a estratégia de ampliar sua inserção acadêmica global. Embora a proporção de docentes estrangeiros tenha ficado abaixo da meta (1,15%), o indicador de estudantes estrangeiros apresentou desempenho positivo, atingindo 1,48%. O período foi marcado pela ampliação da mobilidade acadêmica, criação do primeiro edital exclusivo para estrangeiros na pós-graduação e integração à Rede de Universidades do BRICS, além de parcerias como a cooperação com a Organização Meteorológica Mundial.
O Desafio 2, voltado à educação inovadora com excelência acadêmica, apresentou resultados distintos. Em 2025, a UFSM atingiu a meta de 100% dos cursos com conceitos 4 e 5 no Conceito de Curso (CC), do Ministério da Educação (MEC).Por outro lado, não alcançou a meta de 80% no Enade, registrando déficit de 12,6% e oscilações ao longo do período, o que indica a necessidade de continuidade das ações voltadas à qualificação dos cursos.
O Desafio 3, relacionado à inclusão social, é apontado como prioridade para o próximo ciclo. Entre os principais pontos de atenção, está o tempo de formação de estudantes beneficiários de políticas de assistência estudantil, que permanece acima da média. Esse índice tem relação direta com a pandemia de Covid-19, que impactou o tempo mínimo para a conclusão dos cursos. Também há demanda por ampliação do acompanhamento pedagógico, com destaque para o papel da Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED), que registra aumento significativo nos atendimentos e consolida sua atuação no apoio a estudantes com dificuldades acadêmicas.
No Desafio 4, que aborda a inovação, a geração de conhecimento e a transferência de tecnologia, a UFSM apresentou avanços significativos. Entre eles, a criação de três novos cursos de doutorado: Agronomia, Agricultura e Ambiente, sendo o primeiro doutorado no Campus Frederico Westphalen; Economia e Desenvolvimento; e Ciências do Movimento e Reabilitação. Além disso, no que se refere ao número de programas de pós-graduação com conceito 5, 6 ou 7, que são reconhecidos como programas de excelência acadêmica, a meta inicial de 20 cursos foi não apenas atingida, mas duplicada em 2025.
O Desafio 5, voltado à modernização e ao desenvolvimento organizacional, apresentou desempenho positivo. A universidade alcançou R$ 84 milhões em recursos arrecadados em 39 projetos, crescimento superior a 100% em relação a 2019.
Esse avanço contribui diretamente para o Desafio 6, voltado ao desenvolvimento com foco local, regional e nacional, fortalecendo a capacidade de investimento da universidade. Nesse contexto, a UFSM atingiu a meta de crescimento no Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras (IESE), alcançando a sétima posição, além de contar com 9 Empresas Associadas e 5 Empresas Residente instaladas no Parque de Inovação, Ciência e Tecnologia da UFSM (InovaTec).
Por fim, o Desafio 7, relacionado à gestão ambiental, não atingiu as metas. Houve desempenho abaixo das metas nos indicadores de Mobilidade, Energia e Mudanças Climáticas e no desempenho geral do ranking GreenMetric. Apesar disso, a UFSM avançou duas posições em relação a 2020, alcançando o 23º lugar. A área se torna prioritária para o próximo plano. Ainda assim, a universidade desenvolveu iniciativas relevantes no período, como a realização da “COP UFSM”, voltada à conscientização ambiental no contexto acadêmico, além de projetos de pesquisa para redução de emissões de CO₂, campanhas institucionais como o “Desperdício Zero” e a participação em ações de recuperação ambiental, como o projeto “Reflora”.
Para esse novo ciclo, o Plano de Metas 2025–2027 foi construído com participação das Unidades de Ensino e revisão das diretrizes vinculadas à Visão Institucional e aos desafios do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), fortalecendo o alinhamento entre planejamento, execução e avaliação e incorporando novas demandas institucionais e sociais.
Investimentos e ampliação da infraestrutura
A Coordenadoria de Projetos e Convênios (COPROC) consolidou, em 2025, uma série de investimentos estratégicos para a universidade, por meio de convênios e parcerias institucionais que somam mais de R$ 39,5 milhões.
Entre os destaques, está o repasse de R$ 11,1 milhões do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para o projeto de expansão sustentável da irrigação no noroeste do Rio Grande do Sul, considerado o maior investimento do período. Também se destaca o investimento de R$ 400 mil, financiado pelo Ministério da Igualdade Racial, destinado ao Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI), que atua na promoção de ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à valorização das contribuições das populações negras e indígenas.
Além disso, a destinação de recursos para a infraestrutura, realizada em 2025, evidencia a ampliação e qualificação dos espaços físicos da instituição, com destaque para a obra de construção do prédio de Comunicação Social, no campus-sede, no valor de R$ 7,8 milhões, e para a construção do Bloco 64 da CEU II, em Camobi, que recebeu cerca de R$ 5,2 milhões. Ainda, os recursos também foram direcionados à expansão e ao fortalecimento de outros campi, como Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul.
O papel do planejamento
A reitora destaca o caráter integrador do documento. “O relatório de gestão envolve um trabalho de articulação entre diferentes setores da universidade, garantindo unidade e transparência nas informações apresentadas. É uma forma de conectar as unidades para contar a história do que foi planejado e executado ao longo do período”, explica.
Segundo Marcelo Kroth, coordenador de Planejamento Informacional da UFSM (COPLIN), a construção do relatório envolve articulação entre diferentes setores da universidade para garantir unidade e clareza. “A gente tenta conectar todas as unidades e os setores da universidade para contar uma história única e que faça sentido”, explica. Ele destaca que o documento apresenta, de forma acessível, “o que aconteceu, o que foi planejado e o que foi executado na universidade durante o ano”, consolidando-se como instrumento de transparência e prestação de contas.
Para Kroth, o principal avanço do período está na consolidação de uma cultura institucional baseada em planejamento e acompanhamento contínuo. “Ter plano de metas e indicadores permite acompanhar e analisar os resultados anualmente”, afirma. Segundo ele, esse modelo fortalece a capacidade de resposta da instituição diante de crises, como pandemia, eventos climáticos e paralisações. “Não tem como a gente prever tudo, mas o fato de termos clareza de onde a universidade quer chegar, permite dar uma resposta mais rápida para esse tipo de situação”, finaliza.
Para Martha, o documento também cumpre papel fundamental na transparência institucional. “O relatório de gestão é um instrumento de prestação de contas que sistematiza investimentos, obras e estratégias adotadas, reunindo dados sobre aplicação de recursos, expansão da infraestrutura e planejamento institucional”, afirma.
Para a reitora, o documento se consolida como um marco no cronograma institucional, ao evidenciar os impactos das ações da universidade nas áreas de ensino, pesquisa e extensão.
Texto: Giovanna Felkl, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista
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