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Husm recebe 30 profissionais angolanos para atividades de formação e estágios supervisionados

O que a troca de experiências entre profissionais de diferentes países pode trazer para a saúde pública? No Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), integrante da Rede HU Brasil, essa vivência faz parte da rotina de 30 profissionais angolanos que participam de atividades de formação teórico-prática e estágios supervisionados em diferentes áreas da saúde pública.

No dia 20 de maio, as cirurgiãs-dentistas angolanas Paula Margarida Van-Dúnem Paixão Franco Ferreira e Marcelina da Consolação José Kiluange participaram de uma visita ao curso de Odontologia da UFSM. Durante a atividade, as intercambistas conheceram o protocolo CTdBem, tecnologia apresentada pelo professor da UFSM, Gustavo Dotto, que permite a realização de tomografias odontológicas com baixa dose de radiação.

Segundo Gustavo, as profissionais também acompanham diariamente os atendimentos realizados pelos cirurgiões-dentistas do Husm, tanto no consultório e ambulatório quanto junto aos pacientes internados, incluindo unidades de internação e CTI. “Essa vivência permite compreender de forma integrada o papel da Odontologia no ambiente hospitalar e a atuação junto a pacientes com diferentes níveis de complexidade clínica”, explicou.

Sobre o protocolo CTdBem, Gustavo destacou que a tecnologia foi desenvolvida para ampliar o acesso a exames odontológicos por imagem em contextos hospitalares e públicos, utilizando a estrutura já existente nos hospitais, como tomógrafos médicos multislice, para gerar imagens com finalidade odontológica. “Isso é relevante para pacientes internados, oncológicos, politraumatizados, com necessidades especiais ou com dificuldade de deslocamento, porque possibilita que o diagnóstico odontológico por imagem seja realizado no próprio ambiente hospitalar, sem depender exclusivamente de serviços externos ou equipamentos odontológicos específicos”.

O professor também ressaltou que o protocolo foi desenvolvido com foco na redução da exposição à radiação, seguindo o princípio Alara, que busca utilizar a menor dose possível sem comprometer a qualidade diagnóstica. “O protocolo procura adaptar a aquisição das imagens à necessidade odontológica específica, reduzir exposições desnecessárias e evitar repetições de exames, mantendo a segurança do paciente como prioridade”.

A visita integrou as atividades do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil-Angola, iniciativa de cooperação internacional voltada à qualificação técnica, científica e profissional de trabalhadores da saúde angolanos em instituições brasileiras. No Husm, são enfermeiros, fisioterapeutas, dentistas, assistentes sociais, médicos, farmacêuticos e psicólogos alocados em diferentes serviços e acompanhando atividades de formação clínica e vivências ligadas à assistência prestada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Troca de experiências e aprendizagem no SUS

O programa reúne estudantes e profissionais com experiência prévia em instituições de saúde e gestão pública em Angola. A proposta é fortalecer o sistema público de saúde angolano por meio da troca de conhecimentos, da formação em serviço e da aproximação entre instituições de ensino e assistência dos dois países.

Médicas dentistas em hospitais públicos de referência em Angola, Paula Margarida Van-Dúnem Paixão Franco Ferreira e Marcelina da Consolação José Kiluange participam de uma vivência de três meses em odontologia hospitalar no Husm. Paula atua desde 2002 no Hospital Josina Machel, em Luanda, capital angolana. Marcelina é licenciada em Medicina Dentária e trabalha no Hospital Público Josina Machel, unidade de nível terciário no país. Durante o intercâmbio, ambas acompanham atividades assistenciais e multiprofissionais desenvolvidas no Husm.

Segundo Paula, “a vivência tem como objetivo conhecer e fazer uma troca de experiências do ponto de vista técnico-assistencial, cultural e humano. Temos acompanhado a integração das equipas multiprofissionais com a odontologia para prestar um atendimento seguro e humanizado aos pacientes. A ideia é adquirir conhecimentos para partilhar e replicar no nosso hospital em Angola”.

Durante o intercâmbio, a profissional acompanha práticas assistenciais voltadas a pacientes ambulatoriais e internados, além de protocolos relacionados à biossegurança, segurança do paciente e higiene oral em UTI. Paula também destacou o contato com a laserterapia utilizada na prevenção da mucosite oral em pacientes oncológicos e o acompanhamento de atendimentos odontológicos realizados antes de cirurgias cardíacas.

A cirurgiã-dentista ressaltou ainda a experiência de conhecer o protocolo CTdBem e a estrutura do curso de Odontologia da UFSM. “Foi uma experiência gratificante. O protocolo permite realizar tomografias com baixa dosagem de radiação e em curto espaço de tempo, o que pode auxiliar no despiste de focos infecciosos em pacientes internados, grávidas e crianças. Além disso, é um protocolo social e sem custo para o hospital”.

Para Paula, os conhecimentos adquiridos durante o período de formação poderão contribuir para qualificar o atendimento no hospital onde atua em Angola. “Vou levar para Angola os protocolos, os fluxogramas, a integração das equipes multiprofissionais e os conhecimentos sobre laserterapia e odontologia hospitalar. Também gostaria muito de levar o protocolo CTdBem, porque seria uma mais-valia para o nosso hospital. Todo esse aprendizado tem como objetivo melhorar e aperfeiçoar o atendimento aos pacientes de forma humanizada”, destacou.

O Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil-Angola foi lançado oficialmente em abril de 2024. A iniciativa é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, em parceria técnica com o Ministério da Saúde e a Rede HU Brasil, que mobilizam universidades, hospitais universitários e instituições públicas de ensino e saúde em diferentes regiões do país. Entre 2024 e 2026, foram ocupadas 434 vagas em 29 hospitais universitários federais e na administração central da Rede HU Brasil. Dessas, 255 correspondem a profissionais que iniciam suas atividades formativas no Brasil ao longo de 2026.

Sobre a HU Brasil

O Husm faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei Nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.

Texto: Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil

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