
A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um documento criado em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em 30 artigos, o texto estabelece direitos fundamentais para todos os cidadãos. O primeiro artigo afirma que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Já o segundo artigo estabelece que os direitos são para todos, sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou qualquer outra condição. O terceiro artigo afirma que “todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”.
O documento estabeleceu, pela primeira vez, normas comuns de proteção aos direitos da pessoa humana, a serem seguidas por todos os povos e todas as nações. Contudo, a realidade ainda não corresponde plenamente ao que foi determinado pela ONU. Segundo o IBGE, mais de 6 milhões de pessoas passavam fome em 2024 no Brasil. Simultaneamente, ao menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas em 2025, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), fazendo com que o Brasil continue sendo o país mais letal para essa população. Esses são alguns exemplos das desigualdades sociais e violações dos direitos humanos que acontecem diariamente.
O 9º Fórum de Direitos Humanos

Os direitos são para todos, o que significa que é um problema coletivo quando alguém é impossibilitado de exercê-los. Foi sobre isso que os participantes do 9º Fórum de Direitos Humanos discutiram nesta terça-feira (16), ao longo de todo o dia. O evento, organizado pela turma da disciplina de Gestão de Eventos do curso de Relações Públicas, em conjunto com a Pró-Reitoria de Extensão (PRE) e o Observatório de Direitos Humanos (ODH), teve como tema “Direitos humanos para todas as pessoas”. “Nós pensamos em trabalhar a temática sobre o que são direitos humanos. Às vezes há um questionamento de que os direitos humanos são para um grupo específico, e não é. Os direitos são para todos”, explica a pró-reitora de Extensão, Milena Freire.
O evento teve início com a palestra Direitos Humanos e Interseccionalidade, ministrada por Winnie de Campos Bueno, ialorixá, escritora e pesquisadora. Durante sua fala, Winnie expressou que “embora os direitos sejam declarados como universais, as possibilidades de exercê-los estão profundamente atravessadas por desigualdades de raça, classe, gênero, sexualidade, território, religião, deficiência, idade, nacionalidade e tantas outras expressões”.
Na sequência, foi realizada uma mesa de debate mediada com lideranças locais. Participaram Mariane Selister, professora do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da UFSM e líder do Grupo de Pesquisa e Extensão GIDH – Gênero, Interseccionalidade e Direitos Humanos; Margarete Vidal, presidente da Associação de Selecionadores de Materiais Recicláveis de Santa Maria (Asmar), recicladora e empreendedora; e Rutileia Campos, mestranda em Educação pela UFSM, ativista do Movimento PCDs Brasil e coordenadora de ações afirmativas interseccionais do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da UFSM.
A coordenadora de Cidadania da UFSM, Cassiana Marques da Silva, reiterou a importância do evento para a comunidade acadêmica e para Santa Maria. “As pessoas precisam entender que os direitos são para todos. Muitas vezes, a população que mais precisa dessa compreensão precisa saber que as políticas públicas são para todos. Algumas pessoas têm a sensação de que não pertencem a elas, que não conseguem ou não podem acessá-las. Mas elas têm esse direito”, afirma.
Parceria com a disciplina de Gestão de Eventos

A turma do terceiro semestre de Relações Públicas foi uma das responsáveis pela organização do Fórum de Direitos Humanos. A professora da disciplina de Gestão de Eventos, Fernanda Sagrilo Andres, explica que a proposta do trabalho é desenvolver a concepção de um evento, desde a criação da identidade até a busca por parcerias. Em seguida, os grupos apresentam a ideia aos clientes e, após a aprovação, o evento é colocado em prática. “Hoje é o dia do evento, mas o trabalho vem sendo realizado desde o início do semestre. O trabalho só será finalizado após a entrega de um relatório final”, conta a professora.
Maria Fernanda Lemos Vargas é uma das estudantes responsáveis pelo trabalho e explica como foi a concepção das ideias para o evento. Neste ano, o fórum foi baseado na ideia de “tecer os direitos humanos coletivamente”. Os participantes eram convidados a amarrar fitinhas em um mural para demonstrar que todos estavam construindo o evento juntos.
Maria Fernanda conta que se sentiu privilegiada em organizar um evento para mais de cem pessoas, mas também sentiu grande responsabilidade. “Eu me diverti e me estressei, mas aprendi muito. Até agora foi uma das cadeiras em que mais aprendi, porque é prática na veia”, relata.
Texto: Jessica Mocellin, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Mathias Ilnicki, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Mariana Henriques, jornalista
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