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Projeto da UFSM/FW une pesquisa e sustentabilidade no tratamento de esgoto

A busca por alternativas eficientes, sustentáveis e de baixo custo para o saneamento básico motivou o desenvolvimento de um projeto de pesquisa inovador no Campus da ufsm em Frederico Westphalen (UFSM/FW). A iniciativa utiliza wetlands construídos de fluxo vertical (WCFV), uma tecnologia baseada na natureza que emprega plantas e microrganismos para o tratamento de efluentes.

Conhecidos também como sistemas alagados construídos, os wetlands são um tipo de filtro plantado que reproduzem processos naturais encontrados em áreas alagadas, como os banhados. O esgoto passa lentamente por camadas de materiais filtrantes, como brita e/ou areia, sendo tratado por meio da interação com o meio filtrante, as plantas e os microrganismos. Trata-se de uma tecnologia muito simples, de baixo custo operacional e alinhada aos princípios da sustentabilidade, sendo especialmente adequada para residências, pequenas comunidades e áreas de expansão urbana, como loteamentos e condomínios fechados.

O projeto surgiu em 2020, a partir de uma demanda da direção do Campus, para melhorar o sistema de tratamento de esgoto da Casa do Estudante Universitário (CEU), que atende atualmente 72 estudantes. “Além de atender a uma necessidade concreta da universidade, o projeto possibilitou a criação de uma estrutura voltada ao ensino, à pesquisa e à extensão, contribuindo para o desenvolvimento de estudos aplicados e para a formação de recursos humanos na área de saneamento ambiental”, explica Samara Terezinha Decezaro, docente do Departamento de Engenharia e Tecnologia Ambiental e coordenadora do projeto.

Tecnologia e eficiência no tratamento de efluentes

A foto mostra uma série de tanques (cujo muro foi pintado de azul) nos quais estão instalados os wetlands, sobre os quais é possível ver as folhas e flores das plantas usadas no processo. Ao fundo, destacam-se prédios do Campus de Frederico Westphalen, bem como algumas árvores.
Os wetlands são usados no tratamento do esgoto da Casa do Estudante Universitário do Campus da UFSM em Frederico Westphalen

Durante o processo, os pesquisadores testam diferentes materiais filtrantes, como areia grossa e brita. O monitoramento do sistema inclui análises laboratoriais e o sequenciamento genético de bactérias. Os testes servem para que os envolvidos possam compreender como processos naturais purificam a água e tratam os efluentes.

Nos tanques utilizados na estação experimental da UFSM/FW é cultivada a espécie Canna x generalis. A professora Samara explica que “as plantas têm importantes funções nesses sistemas, como a remoção de nutrientes e a transferência de oxigênio à região das raízes. Mas os principais responsáveis pelo tratamento são os microrganismos aderidos às raízes das plantas e ao material filtrante, que realizam a degradação da matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes presentes no esgoto”.

A docente enfatiza que o objetivo “é produzir dados confiáveis que permitam aprimorar os parâmetros de projeto para as condições climáticas brasileiras, especialmente para o noroeste do Rio Grande do Sul”. A ideia, pontua, “é consolidar essa tecnologia como uma alternativa viável para o saneamento descentralizado”.

Impacto social e formação de recursos humanos

Desde a implantação em 2023, a estrutura serve como campo de aprendizado para estudantes da graduação em Engenharia Ambiental e para alunos de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA). Além de solucionar um problema local, ainda contribuiu para o fortalecimento da formação acadêmica.

O uso dessa tecnologia beneficia a população de locais onde não há rede de coleta convencional, como em áreas rurais e municípios do interior. A simplicidade operacional e os baixos custos de manutenção são fatores que tornam os wetlands uma alternativa eficiente em relação aos desafios do crescimento urbano e das mudanças climáticas.

O futuro do reuso de água

A equipe avalia a adequação do esgoto tratado para diferentes formas de reuso, o que alinha a iniciativa aos objetivos da economia circular. Ao transformar o efluente em um recurso passível de aproveitamento, o projeto contribui para a preservação dos recursos hídricos locais. “O principal legado desse trabalho é demonstrar que o tratamento de esgoto ocorre com base nos próprios princípios da natureza”, enfatiza Samara.

A pesquisa conta com parceiros estratégicos, como o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Soluções Baseadas na Natureza (INCT-SBN) e o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

Texto: Assessoria de Comunicação da UFSM/FW

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