
Em apenas quatro horas, quase 600 pessoas se inscreveram para receber massagens gratuitas oferecidas pelo Laboratório de Práticas Integrativas e Complementares no Cuidado em Saúde (Lapics) da UFSM. A alta procura evidenciou o interesse crescente da comunidade por práticas voltadas ao cuidado com a saúde física e mental.
Criado em 2017, o Lapics desenvolve ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à promoção da saúde por meio das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics), reconhecidas pelo Ministério da Saúde desde 2006. Além das massagens, o laboratório oferece atividades como Reiki, auriculoterapia, yoga, meditação e dança circular, atendendo tanto a comunidade acadêmica quanto a população de Santa Maria e região.
Embora as massagens já façam parte dos atendimentos oferecidos pelo laboratório há alguns anos, neste semestre elas passaram a integrar a disciplina de Recursos Terapêuticos Manuais, do curso de Fisioterapia da UFSM, ministrada pela professora e coordenadora do Lapics, Ângela Zanella. Essa iniciativa permite que os estudantes realizem os atendimentos sob supervisão, tornando a formação prática mais conectada com as demandas da comunidade.
Segundo Ângela, a mudança amplia as oportunidades de aprendizagem dos estudantes e fortalece o atendimento prestado à população. “Os alunos precisam aprender, e a melhor forma de aprender é colocando a mão na massa, atendendo pacientes reais”, ressalta.
As sessões, que ocorrem nas quartas pela manhã, no prédio 20 do campus sede, têm duração aproximada de uma hora e são realizadas por estudantes supervisionados ou por profissionais habilitados. Durante esse período, os pacientes passam por uma breve avaliação inicial, como monitoramento de pressão e batimentos, e então recebem entre 40 e 50 minutos de massagem. No fim da sessão ainda há orientações sobre os cuidados posteriores.
Benefícios que vão além do relaxamento
Embora sejam frequentemente associadas apenas ao relaxamento, as massagens oferecidas pelo Lapics têm objetivos terapêuticos e preventivos. As técnicas utilizadas auxiliam na redução das tensões musculares, aliviam dores, melhoram a circulação sanguínea, favorecem a mobilidade e contribuem para o funcionamento do organismo como um todo. Além dos efeitos físicos, os atendimentos também promovem momentos de pausa e autocuidado, especialmente importantes em uma rotina marcada pelo estresse e pela sobrecarga.

Os reflexos também são percebidos na saúde mental. Segundo a coordenadora do laboratório, muitos participantes relatam melhora na qualidade do sono, redução da ansiedade e do estresse e maior sensação de bem-estar após as sessões. Para Ângela, esses resultados tornam as massagens ainda mais relevantes diante do cenário atual.
“A gente tá vivendo uma epidemia de saúde mental. Muitos relatam a melhora nos sintomas de ansiedade, melhora no sono, redução do estresse, né? Temos aqui alguns alunos que estavam terminando a tese de doutorado, que estavam se sentindo muito melhor”, afirma Ângela.
A procura pelas massagens confirma esse cenário. De acordo com a coordenadora, o laboratório realiza entre 200 e 300 atendimentos mensais apenas com essa prática, além das demais atividades desenvolvidas pelo laboratório. O público é diversificado e inclui estudantes, servidores da universidade, trabalhadores, idosos e comunidade externa em geral.
Desafios e próximos atendimentos
Apesar da alta demanda, o laboratório ainda enfrenta limitações para ampliar o número de atendimentos. O principal desafio, segundo Ângela, é a falta de terapeutas voluntários para atender toda a procura. Ainda assim, a expectativa é expandir os serviços e fortalecer as ações de promoção da saúde dentro e fora da universidade.
Os atendimentos deste semestre já se encerraram, mas as inscrições e início dos próximos estão previstas para o início de setembro. Para acompanhar os serviços ofertados pelo laboratório, siga o perfil no Instagram: @lapicsufsm.
Texto: Nadine Guarize, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias
Fotos: Jessica Mocellin, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias
Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista
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